segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ser professora e adoecer

Sou professora de inglês e tenho uma matrícula na Secretaria de Educação do Município do Rio de Janeiro. Cumpro uma carga horária semanal de 16 horas. Tento lecionar para, aproximadamente, 500 crianças por semana. Uso um microfone bastante potente, comprado por mim, para tentar fazer com que as crianças me ouçam. Meu próximo passo será um protetor auricular.
OPINE:Mande seu artigo Na última segunda-feira, dia 22 de agosto de 2011, amanheci completamente sem voz: afônica. Fui para a escola. Dei três tempos de aulas sem pronunciar palavra alguma. Tudo era escrito, em português e em inglês (eu sou professora de inglês, lembram?), e os que não sabiam ler eram ajudados pelos que sabiam. Após os três tempos em sala de aula, cumpri, como de costume, os dois tempos de horário complementar (horário usado para planejamento, por exemplo), já na secretaria da escola. Continuava afônica, e um pouco mais desgastada. Saí da primeira escola, e fui até a segunda escola, onde complemento meu horário. Tomei um pedaço de papel e escrevi (lembram que estava afônica?) que iria ao médico devido às condições nas quais me apresentava. A diretora, imediatamente, sugeriu que eu pegasse um BIM (é um documento oficial que os professores precisam levar a um posto de saúde, por exemplo, para ser preenchido por um médico, também funcionário público, depois que eu já estivesse de posse do diagnóstico e atestado do meu otorrinolaringologista). Depois disso, ela pensou melhor, e sugeriu que eu poderia não pedir licença do trabalho, e sim, passar um "filminho" em inglês para as crianças. Desta forma, eu não precisaria falar. Deus, na sua infinita sabedoria, me manteve afônica naquele momento, evitando, assim, que eu expressasse minhas emoções de maneira clara e bastante objetiva.
Ignorei as sugestões anteriores, faltei na parte da tarde e me dirigi ao consultório do meu médico, quando fui por ele diagnosticada: laringite e faringite. Uma caixa de antibióticos e mais três outros medicamentos foram indicados, além de dez dias de repouso. Dez?! Como eu poderia parar de trabalhar por dez dias?! Pedi que ele fizesse o atestado solicitando afastamento por cinco dias.
Na terça-feira, dia 23 de agosto, pela manhã, fui à minha escola para pedir à diretora que fizesse o BIM (lembram-se dele?). Saí de lá, e procurei a clínica Rede Rio de Medicina, conveniada ao município do Rio de Janeiro, situada à Rua Aracaju, 25, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, para que um médico de lá transcrevesse para o tal BIM aquilo que o meu médico havia diagnosticado no dia anterior. Sim, o diagnóstico do meu médico parece não ter validade junto à prefeitura do meu município. Lá chegando, fui informada de que não poderia ser atendida naquele dia porque o sistema estava com problemas e tudo estava sendo feito manualmente. Saí. Procurei o posto de saúde Belisário Pena, também em Campo Grande, onde uma funcionária simpaticíssima me informou que eu não poderia ser atendida porque já estava próximo de dar quatro horas da tarde. Sim, quatro horas da tarde e ninguém poderia se dar ao trabalho de transcrever o que constava no atestado fornecido pelo meu médico. Voltei para casa. Estava cansada e continuava sem voz.
Quarta-feira, dia 24 de agosto. Chego, novamente, à Rede Rio de Medicina, na mesma Rua Aracaju, 25, em Campo Grande, às 7h40m. Entrego os documentos e, às 7h50m sou informada pela recepcionista que seria a primeira cliente a ser atendida pela médica, e que o atendimento começaria a partir de 8h. Fiquei sentada num pátio coberto que serve como sala de espera, assistindo ao Bom Dia Brasil. Às 8h40m, voltei à recepção para perguntar se eu estava aguardando no local errado. Outra recepcionista me respondeu que a médica acabara de chegar, e que eu seria chamada à sala 3 ou 5. Começa o programa Mais Você. Cansada de ouvir nomes sendo chamados, voltei à recepção às 9h15m. Desta vez, me informaram que eu seria a primeira paciente a ser atendida depois das prioridades, os pacientes que estiveram na clínica no dia anterior e não puderam ser atendidos. Mas eu também estive na clínica no dia anterior, ora, pois! Às 9h43m, finalmente, a médica, que estava dentro de uma das salas de um longo corredor, gritou meu nome. Entrei. Simpática, ela me cumprimentou. Perguntou como eu estava, e eu respondi que estava mal (Será que alguém procura um lugar daqueles quando está se sentindo bem?!). Ela preencheu meu BIM, perguntou o que o meu médico havia diagnosticado, me deu três dias de afastamento, assinou o documento, e eu voltei para a minha casa, onde cheguei por volta das 11h.
O que me pergunto até agora é: o que eu fui fazer no consultório daquela médica? Ela nem ao menos olhou a minha garganta! Óbvio que não! O meu médico já havia feito o trabalho. Durante esses dias da saga que acabei de descrever, eu falei mais do que teria falado em sala de aula. Minha garganta dói muito! Não fiz repouso, e o meu último dia de licença é hoje, dia 24 de agosto. Será que eu estou sendo muito exigente, muito crítica? Será que mais vale uma assinatura de uma médica que trabalha numa clínica conveniada ao município do Rio de Janeiro e que por nenhum momento me avaliou, do que a do meu médico, que avaliou minha garganta e meus ouvidos, diagnosticou as patologias, medicou e me sugeriu dez dias de afastamento? Será que a diretora que sugeriu que eu passasse um "filminho" em inglês para as turmas, e não abrisse a boca, no final das contas, não estava certa? Será que eu estou trabalhando no lugar certo? Será que as pessoas sabem que o sistema é assim? Será que eu deveria escrever isso para alguém? Quantos me apoiariam? Quantos me crucificariam? Será que eu devo entrar no ritmo dos que fingem que ensinam enquanto os alunos fingem que aprendem? Será que depois de passar num concurso público, com prova de conhecimentos específicos, prova de legislação em inglês, passar por uma prova oral elaborada pelos examinadores da Universidade de Cambridge com nota máxima, de ter duas graduações, várias especializações, alguns bons anos de magistério, eu ainda sou tão ignorante a ponto de ser jogada de um lado para outro para obter uma simples assinatura que comprove meu estado de saúde junto à Secretaria de Educação do Município do Rio de Janeiro? Que país é esse?, perguntaria o saudoso Renato Russo.
Este texto foi escrito por um leitor do Globo. Quer participar também e enviar seu artigo?Clique aqui
Links patrocinados

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/08/26/ser-professora-adoecer-925223916.asp#ixzz1Xjgz713c
© 1996 - 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Prefeito dá boas-vindas aos novos professores de Educação Infantil

Educação
Prefeito dá boas-vindas aos novos professores de Educação Infantil

Com o novo modelo de atendimento à primeira infância, todas as salas nas creches e EDIs ganharam um professor

10/08/2011  » Autor: Anna Beatriz Cunha / Fotos: Beth Santos

Foto: Beth SantosO prefeito Eduardo Paes e a secretária municipal de Educação, Claudia Costin, participaram na manhã desta quarta-feira, dia 10, da cerimônia de boas-vindas aos professores de Educação Infantil, realizada no Centro de Convenções Sul América, na Cidade Nova. Do total de 1.500 professores que estão sendo convocados pela Prefeitura do Rio, 1.020 já tomaram posse e estiveram presentes na cerimônia.

Em seu discurso, o prefeito comentou sobre os avanços na área da Educação:

- Temos feito um esforço grande na Prefeitura do Rio para fazer com que as pessoas se sintam parte de uma equipe que atinguiu seus objetivos. A rede municipal do Rio de Janeiro nos orgulha muito porque é a maior rede municipal do Brasil. Temos todo o Ensino Fundamental aqui na cidade, cumprindo aquilo que diz a Constituição. A grande transformação que estamos conseguindo fazer é no campo pedagógico, nossa meta é uma escola que ensine e um aluno que aprenda. Conseguimos dobrar o número de vagas em creches e estamos avançando muito nessa área.

Foto: Beth SantosPaes agradeceu aos novos professores de Educação Infantil por terem batalhado para integrar a rede de servidores da Prefeitura do Rio:

- O que eu queria com esse encontro era convocar vocês para essa fantástica tarefa de educar. Vocês são a garantia de que a gente pode ter um futuro melhor nessa cidade. Temos certeza de que vocês vão transformar muitas vidas e mudar a história de muitas famílias e de muitos carioquinhas que precisam de vocês para poder ter direito a um futuro. Minhas boas-vindas e acima de tudo a minha esperança de que vocês vão ajudar a mudar o Rio de Janeiro.

O cargo de professores de Educação Infantil foi criado dentro do novo modelo de atendimento à primeira infância. Por causa desse novo modelo, todas as salas de atividades nas creches e nos Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) têm um professor de Educação Infantil.

Foto: Beth SantosA secretária Claudia Costin explicou sobre o trabalho desses novos profissionais nos espaços de Educação Infantil:

- Os professores de Educação Infantil vão trabalhar nas creches para complementar o trabalho de cuidador, que já vem sendo feito pelos agentes auxiliares de creche, e introduzir uma dimensão pedagógica mais forte no trabalho de primeira infância. Estamos desde meados de 2009 aumentando o número de vagas em creches. São mais de 13 mil vagas novas. Mas, não basta criar mais vagas, construir novos EDIs, é importante ter um time de qualidade trabalhando a educação na primeira infância. Os professores de Educação Infantil foram selecionados e capacitados para esse trabalho de estimulação dos bebês, de imersão dos bebês no ambiente letrado, de poder fazer com que eles tenham educação de qualidade.

Além da meta de ampliar a oferta de vagas em creches na cidade, abrindo mais 30 mil novos postos até o fim de 2012, a Secretaria Municipal de Educação (SME) criou o EDI, que agrega num mesmo ambiente a creche e a pré-escola. Nos EDIs, as crianças são estimuladas a desenvolver a aprendizagem desde pequenas a partir, por exemplo, da convivência com os livros e da utilização de materiais apropriados. O novo modelo atende crianças de seis meses a cinco anos e meio.

Atualmente, 24 EDIs estão em funcionamento no município. Desde janeiro de 2009, a Prefeitura do Rio criou mais de 12.800 vagas em creche. Atualmente mais de 55 mil crianças são atendidas nas creches da prefeitura, sendo mais de 38 mil nas unidades da rede pública municipal e cerca de 17 mil nas conveniadas. A previsão da SME para o ano que vem é de um novo concurso para a contratação de mais professores de Educação Infantil

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Prefeitura não paga a contribuição previdenciária patronal e pelo Projeto de Lei dá um calote de quase R$ 1,5 bilhão no fundo previdenciário dos servidores

Paes pede urgência na votação do PL 1005; Sepe convoca paralisação terça (30)


O prefeito Eduardo Paes nem esperou o fim do prazo de negociação acordado entre os servidores do município do Rio e o secretário de Governo Pedro Paulo e enviou, no dia 23, àmara de Vereadores do Rio a Mensagem nº 149, pedindo urgência na votação do Projeto de Lei nº 1005, que tem como objetivo capitalizar o Fundo de Previdência dos servidores (FunPrevi). Para o Movimento Unificado dos Servidores, o projeto é muito ruim, pois tenta eximir a responsabilidade do Tesouro Municipal sobre as aposentadorias e pensões, que ficam sem garantias concretas. Com isso, o PL criaria uma capitalização em bases virtuais, tais como: royalties a partir de 2015, juros dos empréstimos imobiliários a partir de 2017, imóveis que pertencem ao Previ-Rio, mas que estão com a situação fundiária muito complicada (portanto, sem liquidez imediata).

Enquanto isso, a Prefeitura não paga a contribuição previdenciária patronal e pelo Projeto de Lei um calote de quase R$ 1,5 bilhão no fundo previdenciário dos servidores. Além disso, o Fundo sofre uma sangria nas suas reservas de R$ 600 mil por dia e o PL 1.005, que na prática está sendo aplicado pelo governo, agrava a situação, pois o déficit que havia sido projetado pelo governo para todo o ano de 2011, até o mês de junho, conforme informação da controladoria, é quase o dobro do projetado para o ano.

Com isso, o Sepe convoca a categoria a paralisar as atividades no dia 30 de agosto (terça-feira) e comparecer ao ato/assembleia na Cinelândia, às 13h – a categoria também vai acompanhar a votação do PL namara.

Todos àmara na próxima terça-feira, dia 30/08, a partir da 14 horas.

Acréscimo - atenção, o Sepe convoca a categoria a enviar emails para os vereadores que participam das comissões que estão analisando o projeto; nos emails, os profissionais de educação devem pedir que as comissões não aprovem o PL por ele ser prejudicial aos servidores e trazer embutido uma reforma da previdência (PLC 41). Seguem as comissões:

1) Comissão de Finanças: Prof. Uoston (presidente); Andrea Zito (vice) e Dr. Carlos Eduardo (vogal);

2) Educação e Cultura: Paulo Messina (pres.); Jorge Braz (vice) e Reimont;

3) Higiene, Saúde Public: Dr. Carlos Eduardo (pres.); Paulo Pinheiro (vice) e Bencardino (vogal);

4) Administração e Assuntos ligados aos servidores: Renato Moura (pres.); Janio Bastos (vice) e João Mendes de Jesus.

5) Justiça e Redação: Jorge Pereira (pres.); Luis Carlos Ramos (vice) e Teresa Bergher (vogal).

Clique aqui para ter acesso aos emails dos vereadores.

Ataque à Previdência dos servidores municipais do Rio de Janeiro

Ataque à Previdência dos servidores municipais do Rio de Janeiro


Na tarde da quinta-feira, 1o de setembro, os servidores do município do Rio de Janeiro sofreram um duro golpe. O vereador Jorge Pereira (PMDB), presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Câmara de Vereadores, que no dia anterior se comprometera com os servidores em dar parecer contrário ao projeto, fato inclusive noticiado pela imprensa, até agora não assinou o parecer, impedindo o arquivamento do PL.

A aprovação do PL 1005 significa o fim do FUNPREVI, uma vez que indica a anistia da dívida da prefeitura sem garantir sua efetiva quitação: É A LEGALIZAÇÃO DO CALOTE! De acordo com este projeto, os únicos recursos utilizados para cobrir o déficit serão nossos 11% (desconto do PrevRio) e as verbas da Saúde e Educação. Todo o restante do aporte apresentado pelo governo é de verbas fictícias, como royalties do petróleo (não aprovados ainda em congresso) e a venda de imóveis do PREVI RIO (todos em situação irregular).
Prefeito quer atacar nossa Previdência também. Veja mais. Divulgue!

Veja também:
Educação municipal do Rio paralisa atividades terça contra Projeto de Lei nº 1005. Aqui

Veja mais:
São Gonçalo abre estágio de advocacia. Veja aqui e no blog do SEPE-SG

Niterói decide continuar greve e faz ato contra descaso de prefeito e vereadores. Veja aqui e no blog do SEPE-Niterói
Rede estadual vai paralisar atividades no dia da votação dos vetos de Cabral ao PL 677

A direção do Sepe Central aprovou na reunião de ontem (01/09) que os profissionais de educação da rede estadual vão paralisar as atividades no dia da discussão e votação dos vetos do governador Cabral ao PL 677, que deverá a partir da semana que vem.
O sindicato ficará em vigília na Alerj para acompanhar a discussão da votação dos vetos.
Em relação às perseguições pós-greve, a direção do Sepe reuniu-se com a Seeduc e conseguiu reverter todos os casos contidos na listagem apresentada nas audiências. A direção do Sepe pede que, caso algum professional esteja sofrendo situação perseguição, deve procurar o sindicato imediatamente.

Veja também:

Decisões da assembléia da rede estadual, realizada dia 24 de agosto. Confira aqui

Regional IX realizará Assembleia para eleição do Conselho Fiscal, 19h, na sede (Rua Felipe Cardoso 166 sala 201).

Assembleia da rede municipal de Itaboraí, às 17h30, na sala do sindicato (R. Presidente Costa e Silva, 10/104, Centro - Itaboraí).

Estudantes da UFF ocupam reitoria da universidade e exigem mais verbas para a educação e contratação de servidores. Acompanhe o blog da ocupação
BOLETIM DA SECRETARIA DE IMPRENSA DO SEPE
SEPE/RJ: Rua Evaristo da Veiga, 55 - 7º e 8º andar - Centro - Rio de Janeiro. Tel: (21) 2195-0450
www.seperj.org.br
imprensa@seperj.org.br
Caso não queira mais fazer parte do nosso mailling, clique aqui